#12mesesdePoe – Berenice.

Olááá 😀

Este post faz parte do Desafio de leitura #12mesesdePoe.

O conto do mês de Outubro é “Berenice”. Já havia lido o conto, e vou deixar hoje uma análise diferente por motivos de: zero tempo disponível. Já tinha o arquivo aqui pois é um pedaço de algo que usei pra analisar o conto na faculdade, portanto, não é algo que escrevi para o blog.

berenice-nelson-evergreen

Egeu, narrador personagem e personagem principal. Goza de pouca saúde e é extremamente melancólico, sempre frisando o quanto é desventurado: “Como é que, da beleza, derivei eu um exemplo de feiúra?”

A biblioteca, ambiente em que o personagem passa a maior parte da história, é mórbida por si só, tendo em vista que ali ele nasceu e ali sua mãe morreu, dando a entender que a mãe faleceu no parto. Sendo assim, podemos dizer que o próprio ambiente contribui para que o personagem seja depressivo.

Cresceu em solar paterno junto com sua prima Berenice, que é justamente o oposto de Egeu: saudável, alegre e bonita: os dois contrastam.

Egeu se desenvolve ao longo da narrativa, e mesmo mostrando pouco de sua infância ao leitor, o que sabemos sobre ele é suficiente para considerá-lo um personagem redondo, já que, mesmo sabendo que se trata de uma pessoa monomaníaca, e que por o ser, irrita-se e torna-se obsessivo facilmente com detalhes, jamais imaginaríamos a que ponto isso chegaria.

Berenice: Prima de Egeu. É alegre, vívida e despreocupada, totalmente diferente de Egeu.

Mas crescemos diferentemente: eu, de má saúde e mergulhado na minha melancolia, ela, ágil, graciosa e exuberante de energia; ela, entregue aos passeios pelas encostas da colina, eu, aos estudos no claustro. Eu, encerrado dentro do meu próprio coração e dedicado, de corpo e alma, à mais intensa e penosa meditação, ela, divagando descuidosa pela vida, sem pensar em sombras no seu caminho ou no voo saliente das horas de asas lutulentas.”

Sabemos pouco sobre Berenice, e, ainda assim, o pouco que sabemos sobre ela está deveras deturpado pela visão obsessiva de Egeu, tendo em vista que é ele quem nos conta a história.

Berenice é acometida por uma séria doença, o que faz com que ela mude totalmente o seu jeito despreocupado de ser, tornando-se uma pessoa totalmente diferente:

“[…] O cabelo, outrora negro, de azeviche, caía-lhe parcialmente sobre a testa e sombreava as fontes encovadas com numerosos anéis, agora dum amarelo vivo, discordando, pelo seu caráter fantástico, da melancolia reinante em suas feições. Os olhos, sem vida e sem brilho, pareciam estar desprovidos de pupilas […]”

A maior parte da história se passa em tempo psicológico: Egeu relembra um pouco da infância, um pouco dos trejeitos de Berenice, nos conta toda a história da forma como ocorreu. É possível identificar através de algumas marcas que a narrativa trás. Exemplo:

“As recordações de meus primeiros anos […]”

“Naquela época […]”

A única marca que temos de que o texto está sendo contado a partir de uma determinada época da vida de Egeu é a seguinte:

“E depois… depois tudo é mistério e horror, uma história que não deveria ser contada.”

Segundo Todorov, em Introdução à Literatura Fantástica, “O fantástico é a vacilação experimentada por um ser que não conhece mais que as leis naturais, frente a um acontecimento aparentemente sobrenatural.” Sendo assim, o fantástico está presente no conto a partir do momento em que Egeu nos revela a sua dúvida quanto ao fato de Berenice, já morta, ter ou não movido um dedo:

“Deus do céu! Seria possível? Ter-se-ia meu cérebro transviado? Ou o dedo da defunta se mexera no sudário que a envolvia?”

O fantástico se faz presente no conto a partir do momento de hesitação já citado até o final do conto.

O fantástico estranho está presente a partir do momento em que Egeu se questiona se de fato o dedo de Berenice havia mexido. O leitor que acredita na morte de Berenice tende a não acreditar, julgando que as faculdades mentais de Egeu estão ainda mais abaladas pela morte da futura esposa. Já o leitor que leva em conta o fato de Berenice sofrer de catalepsia, pode achar que a doença justifica o fato, e em ambos os casos, o estranho se faz presente.

 Vale muito a pena ler e é um dos meus contos favoritos ♥

ps: estou enlouquecida com a faculdade, não tenho tido tempo pra nada e fico um pouco triste, já que hoje é halloween e eu queria ter feito algum post temático. O que me consola é que, por aqui, todo dia é halloween ♥

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4 comentários em “#12mesesdePoe – Berenice.

  1. Sua analise do conto me remeteu a faculdade, ai que saudades. Sinto que vou precisar da sua ajuda a reviver matérias que estudei com indicações de livros como o Todorov, que te ajudou no entendimento do personagem e seu modo de ver o mundo.
    E Tô falando sério sobre a indicação dos livros!

    Continue trazendo mais coisas que você faz faculdade, pro quarto 1408! Assim, você usa seus estudos para ensinar mais á seus leitores!

    Um beijão ❤
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