Sono, de Haruki Murakami

Há escritores que me chamam a atenção por conta de inúmeros fatores, e costumam ser coisas que acho tão interessantes em um livro que, mesmo sem conhecer algo escrito por eles, eu já fico com a sensação de que vou amar ler as suas obras. O último escritor que se enquadrou nessa situação foi Haruki Murakami. De “escritor que nunca ouvi falar”, passou a ser “escritor que preciso ler algo urgente”, já que do ano passado pra cá, cada vez mais, tenho visto fotos dos livros do autor no instagram e resenhas aqui no feed do wordpress, a grande maioria elogiando a sua escrita, e, leitora curiosa que sou, logo o coloquei em minha TBR mental. Não que baste alguém elogiar pra automaticamente o livro ser bom, mas sempre tem aqueles blogs em que a gente confia mais, né?

“Tá, Barbara, mas porque todo esse drama? Baixa esse negócio logo, oras!” I know, I know, mas eu tinha preguiça, ué. Que atire a primeira pedra o leitor que nunca deixou pra conhecer um autor novo depois por medo de trocar a já segura opção de ler um autor que já gosta, diminuindo, assim, as chances de o livro ser uma decepção e ficando em sua zona de conforto.

Enfim,chega de blábláblá: me rendi à obra Sono. A premissa, a capa e a quantidade de páginas (só 120) fizeram com que a curiosidade tomasse o lugar da preguiça de baixar o livro, já que, caso o livro fosse ruim, ao menos teria sido uma leitura rápida.

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O livro conta a história de uma mulher que do nada para de dormir e assim permanece, sendo a história contada a partir do décimo sétimo dia sem dormir. Ela leva uma vida normal, casada com um dentista. Eles têm um filhinho e ela não trabalha, o que ocasiona em uma rotina bem monótona: seus dias se resumem a acordar, cuidar do café da manhã do marido e do filho, nadar um pouco no clube, preparar o almoço para o marido, que costuma almoçar em casa, preparar a janta, dormir, enfim, atividades domésticas. Em suma, essa é a sua rotina, que raramente sofre alguma alteração, até o momento em que simplesmente para de dormir.

A protagonista – que não recebe um nome, assim como os demais personagens – passa, então, a aproveitar as horas livres que tem do momento em que o marido e o filho vão dormir, até a horá de preparar o café da manhã do dia seguinte, que são as horas que ela ocuparia dormindo. Durante essas horas, ela devora livros, retoma pequenos hábitos que tinha antes, passa a refletir sobre muitas questões acerca de seus sonhos e desejos, o que provoca a mesma reflexão no leitor, e foi ai que o livro me ganhou.

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O livro possuí um final aberto, o que muitos podem não gostar. Eu costumo gostar muito de finais abertos, portanto foi algo que me fez gostar mais ainda da história.

A principal reflexão que ficou, para mim, foi: o que nos leva a abandonar pequenos hábitos que nos fazem felizes, sem perceber, para passarmos a viver como zumbis consumidos pela rotina, justamente em busca de coisas que trarão felicidade momentânea para depois virarem parte da rotina que nos massacra? Não sei se deu pra entender, mas é um círculo vicioso. O início da morte não é deixar de viver e passar a apenas existir de forma mecânica? E nós já não fazemos isso um pouco? Exemplo comum é ver apenas os finais de semana como dias que são realmente nossos, dias em que nos permitimos ser felizes e ter algum lazer, viver de verdade. Dois dias em que nos permitimos ser felizes, contra cinco dias que vivemos de forma mecânica.

Gostei muito da história, da escrita do autor, da tradução de Lica Hashimoto e das incríveis ilustrações de Kat Menschik. Embora seja uma história curta, há um cuidado especial na edição da Editora Alfaguara.

E você, já leu? Caso tenha lido, vamos conversas sobre teorias acerca do final impactante!

Até mais 😀

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8 comentários em “Sono, de Haruki Murakami

  1. Final aberto, ele adora né?! Li Minha Querida Sputnik e foi a mesma coisa, porém não havia tanta margem para reflexão, como a que você fez de Sono! Aliás super concordo com a reflexão! Estou finalizando um ano sabático, e pensei muito sobre isso… muito legal!
    Beijos

    Curtido por 2 pessoas

  2. Sou igualzinha! murakami está na minha lista há séculos, mas e a preguiça de trocar o porto seguro por um autor desconhecido (e o meu primeiro japonês)?

    Gostei da indicação pelo número de páginas (igual você). Achei a sinopse interessantíssima, mas odeio finais abertos: sou fã de tudo muito bem explicadinho. De qualquer forma, acho um bom murakami pra começar. 🙂

    Curtido por 1 pessoa

Vamos conversar :D

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