Eu, Robô – Isaac Asimov

downloadUm dos maiores clássicos do gênero, ‘Eu, Robô’ reúne nove histórias em que a evolução dos robôs e narrada a partir da figura lendária da robopsicóloga Susan Calvin. Da desajeitada e muda babá até a complexidade da máquina de comandar o mundo, os contos mostram os obstáculos superados e os problemas enfrentados pelos pioneiros da ciência – homens e máquinas. (Saraiva)

 

Eu, Robô reúne nove contos escritos por Isaac Asimov entre 1940 e 1950. O cenário inicial é uma entrevista no ano de 2057 com Susan Calvin, robopsicóloga há cinquenta anos. Ao longo da entrevista, Susan nos conta nove historias envolvendo Robôs, sendo cada uma delas com Robôs de versões diferentes, sempre mais modernos que os da historia anterior. Em 314 páginas conhecemos desde um Robô que é capaz de ler pensamentos a um candidato a prefeito que é acusado de ser um Robô (um dos meus contos favoritos).

Todos os contos envolvem as três leis da robótica, sendo elas:

1 – Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.

2 – Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei.

3 – Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira e a Segunda Leis.

Engana-se quem pensa que as histórias se passam somente naquele cenário futurístico, cheio de máquinas e totalmente tecnológico: o maior foco das historias se dá na interação humano-máquina, que é fascinante e proporciona diversas reflexões.

Minha opinião:

Eu estaria mentindo se dissesse que sempre tive interesse por historias com robôs. Seria mais correto afirmar que é um interesse que foi desenvolvido, desde o curioso (ou seria medonho?) ursinho do filme Inteligencia Artifical até os Jaegers de Pacific Rim (que eu amo!). De qualquer forma, só fui sentir vontade de ler Eu, Robô depois de ler a resenha postada no Breakfast of Books, já que até então a visão que eu tinha da obra estava restrita apenas ao filme com o Will Smith.

Comecei a ler o livro e logo percebi que eu havia criado um estereótipo para este livro, já que me vi surpreendida com a linguagem fácil dos contos. Não sei se é mérito do tradutor ou se é uma característica da escrita de Isaac Asimov – alguém que já leu outros livros dele pode opinar? – mas, de qualquer forma, não é uma leitura que exige foco total, em qualquer lugar que eu lia conseguia adentrar na historia, já que, embora envolva vocábulos próprios da robótica (alguns inventados pelo autor), não são contos cansativos.

Gostei muito do fato de que alguns contos são entrelaçados a outros, é comum vermos alguns personagens reaparecerem ao longo do livro e isso é algo muito bacana, já que acaba reforçando o universo criado pelo autor. E que universo! Isaac consegue fazer com que cada lei da robótica e cada conto provoque reflexões acerca de diversos assuntos. E eu que havia pensado que a temática do livro se limitava apenas ao campo científico! Não mesmo!

Um fator interessante e que eu não esperava é que o tom de mistério dado para cada “problema” apresentado é semelhante ao de histórias de detetives. A solução sempre envolve lógica pura, e sempre que um caso é solucionado você se vê pensando em como aquilo foi genial.

Este livro foi uma surpresa agradável do inicio ao fim, e cada conto faz com que pensemos sobre como seria ter a presença de Robôs no nosso dia-a-dia. Se eu tivesse o costume de dar notas para as leituras aqui no blog, sem dúvidas Eu, Robô receberia um dez! Mesmo que você não seja fã da temática eu recomendo a leitura, pois a reflexão que ela provoca é mais do que válida, além de ser um clássico.

Um adendo:

Quis separar esta parte apenas para que fique claro que o que vou ressaltar aqui em nada interferiu no fato de que achei um livro excelente.

Claro que eu já estou cansada de saber que o mundo é machista desde que ele é mundo, mas ainda assim me surpreendo em ver as mulheres sendo representadas de forma tão limitadora em algumas obras – sempre são a fonte de cuidado para com a casa e filhos, nunca mulheres de sucesso profissional -, e a minha surpresa foi ainda maior em Eu, Robô. Tendo em vista que o livro se inicia com uma personagem feminina forte e de carreira profissional consolidada, fato que me alegra muitíssimo, qual não foi a minha surpresa ao me deparar com algumas passagens extremamente estereotipadas! Veja algumas passagens:

No conto “Pobre Robô Perdido”, o Robô se sentiria humilhado caso fosse encontrado por uma mulher. Really?

“– Não devo desobedecer. Até agora, não me encontraram… ele pensaria que sou um fracasso… Ele me disse… Mas não é verdade… Sou poderoso e inteligente… […] E por uma mulher… que é fraca… lenta… Outro passo.”

Ainda no mesmo conto:

“[…] a Dra. Calvin permanecia tranqüilamente provinciana. Assim sendo, estava descontente com a viagem e ainda não se convencera de sua urgente necessidade; durante o primeiro jantar na Hiperbase, cada linha de seu rosto sem atrativos de mulher madura demonstrava claramente tais sentimentos.”

Tudo bem que as características atribuídas à Dr Calvin na frase a seguir são “normais”, mas ao longo dos contos vimos diversos personagens masculinos muito mais instáveis emocionalmente e nenhum foi caracterizado desta forma:

“Não via razão alguma para modificar sua eterna opinião a respeito da psicóloga: uma mulher frustrada e azeda.”

No conto Conflito Evitável:

“Como o senhor pode ver por si próprio, é sobre os ombros de uma pobre mulher que recai a missão de Vice-Coordenadora. Bem, felizmente não é uma missão muito árdua e não se espera muito de mim

Isso muda a qualidade da obra? Não! Eu sei que o livro foi escrito há mais de 50 anos e que o contexto é outro, já que na época a discussão acerca da igualdade entre os gêneros não estava tão em alta como atualmente, mas acho importante deixar ressaltado já que o machismo, principalmente no meio científico, permanece muito grande. Vale a reflexão.

 

E vocês, já leram o livro? Têm vontade de ler? Até mais!

 

 

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12 comentários em “Eu, Robô – Isaac Asimov

  1. “Eu, Robô” foi, pra mim, a porta de entrada na literatura de ficção científica. Não sei porquê, mas sempre tive um preconceitozinho de que lugar de ficção científica era no cinema, mas graças ao Asimov superei essa bobagem. É, realmente, um livro maravilhoso, de leitura leve e que traz reflexões bem interessantes e atuais sobre nossa relação com tecnologia, inteligência artificial…

    Sobre a questão do machismo, um livro fantástico (também de ficção científica haha) que explora de uma maneira muito interessante algumas questões de gênero é o “A Mão Esquerda da Escuridão”, da Ursula K. Le Guin, que li logo na sequência do “Eu, Robô” e recomendo demais:

    http://www.editoraaleph.com.br/site/ficcao/a-m-o-esquerda-da-escurid-o.html

    E, por pura preguiça, vou só copiar a sinopse aqui (vai que você também tá com preguiça de clicar no link… haha):

    “Genly Ai foi enviado a Gethen com a missão de convencer seus governantes a se unirem a uma grande comunidade universal. Ao chegar no planeta Inverno, como é conhecido por aqueles que já vivenciaram seu clima gelado, o experiente emissário sente-se completamente despreparado para a situação que lhe aguardava. Os habitantes de Gethen fazem parte de uma cultura rica e quase medieval, estranhamente bela e mortalmente intrigante. Nessa sociedade complexa, homens e mulheres são um só e nenhum ao mesmo tempo. Os indivíduos não possuem sexo definido e, como resultado, não há qualquer forma de discriminação de gênero, sendo essas as bases da vida do planeta. Mas Genly é humano demais. A menos que consiga superar os preconceitos nele enraizados a respeito dos significados de feminino e masculino, ele corre o risco de destruir tanto sua missão quanto a si mesmo.”

    Enfim, parabéns pela resenha e pelo blog! =]

    Beijos

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi, Sergio!
      Eu tinha essa mesma visão que você. Acho que isso acontece pois os filmes com essa temática tendem a ser extremamente visuais, então não conseguimos imaginar como isso se tornaria interessante no papel.
      Ah, e obrigada pela indicação, vou colocar na minha lista.
      Até mais!

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  2. Também nunca me interessei por ~histórias de robô~, mas todas as resenhas que li desse livro são muito positivas! E o que você escreveu me lembrou muito a série Black Mirror (que eu sou viciada), então esse vai aqui pra fila.
    Beijo!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Sim, sempre são positivas mesmo, esse foi um fator decisivo pra que eu me interessasse!
      Pesquisei sobre a série que você mencionou e parecer ser sensacional! Vou ver se assisto!
      Leia sim, você não vai se arrepender – e ai me conta o que achou.
      Beijo!

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    1. Oi, Bela!
      Simmm, temos mesmo, por isso passei tanto tempo no seu blog hahahah
      Eu já ouvi falar muuuito do Admirável Mundo novo, mas nunca li. Vou ver se leio em breve!
      E COMO ASSIM????????? Tira muita foto naqueles bosques maravilhosos! Você vai pra estudar?

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