Reflexão acerca do “Bookhaul”

Olá 😀

Estava lendo o blog da Paulla, do Muquifo Literário, que eu adoro, e vi esta interessante reflexão sobre algumas coisas que vemos com frequência em blogs e instagrams literários. Abaixo, reproduzirei o texto exatamente como está no blog dela, mas para quem quiser ver o post original, basta clicar aqui.

Lindo Book Haul de outubro, ou NÃO VOU CAIR NESSA!!

Sou nova nesse trem de blogar. Não consigo entender algumas gírias e termos da área, e às vezes peno um pouco para me localizar e responder as demandas sociais (do meu UM leitor regular, diga-se de passagem, rsrs) de quem me lê (esse mesmo UM leitor 😛 )

Book Haul.

Catei diversas vezes, e cheguei à conclusão que as pessoas usam esse termo de duas formas: livros LIDOS ou livros ADQUIRIDOS. Eu uso o termo “meta de leitura” para os que pretendo ler, e no final, para saber se bati a meta, para os títulos lidos. Então Book Haul, para mim, são os livros que chegaram aqui em casa, fresquinhos.

Agora, eis a armadilha.

Nas minhas pesquisas para entender os termos, eu encontrei diversos blogs, um mais lindo que o outro, com fotos maravilhosas, e lindas pilhas de livros, também maravilhosos. O deslumbramento foi imediato, eu quero TODOS!!! Simples assim. Agora que sou uma profissional formada e trabalhadora (cof! cof!) posso me dar o direito de gastar uma maravilhosa cota mensal em livros.

E foi o início de um conflito interno. Eu amo livros, sou bibliotecária por isso. Mas faz tempo que eu não comprava livros, não apenas pela falta de grana. Porque são lindos, mas muitos eu só leio uma vez. Porque eu caí (faz tempo) numa vibe minimalista, e comprar coisas que só vão ficar paradas na minha casa, juntando poeira e servindo de troféu, não é como pretendo gastar meu dinheiro. Claro que gastar com livros é muito melhor do que, por exemplo, com cupcakes. Ou com docinhos. Ou com cigarros. Ou qualquer vício ilegal, imoral ou engordável. Mas eu quero comprar uma casa, viajar, ter experiências diferentes,e algumas delas requerem dinheiro. Que posso economizar não comprando cem reais (ou mais, muito mais) de livros por mês.

No final de setembro eu comprei muitos, muitos livros no Sub. Depois na Amaz. E depois ainda fui passear, muito bem disposta, na Livraria Cultura. Resultado:

livros comprados em outubro
Book Haul de Outubro: parte 1

– Hellraiser, do Clive Barker
– A menina submersa: memórias, da Caitlín Kiernan
– Trilogia Fundação, do Asimov (3 livros)
– Segunda parte da Fundação, do Asimov (4 livros)
– Coraline (HQ), do Neil Gaiman
– O Perfura Neve (HQ), de Jacques Lob, Benjamin Legrand, Jean-Marc Rochette, Daniel Lühmann

livros comprados em outubro
Book Haul de Outubro: parte 2

– Alice no país das maravilhas & através do espelho, de Lewis Carroll
– O Demonologista, do Andrew Pyper

Livros comprados em outubro
Book Haul de Outubro: parte 3

– 1001 livros para ler antes de morrer
– 1001 músicas para ouvir antes de morrer.

Ou seja, 15 livros. QUINZE LIVROS. Sabem a quanto tempo não me dava essa louca? Sabe como eu me sinto olhando para todos esses livros na minha estante cheia? Levemente oprimida. Sério. Porque são lindos, porque eu queria muito… e porque agora não terei coragem de me desfazer de muitos deles – especialmente as edições maravilindas da Darkside books. É mais coisa para carregar, mais preocupação de estarem sempre impecáveis, mais ciúme na hora de emprestar (“vão estragar meus lindinhos!!!”) – mas com pena de ninguém lê-los.

Eu realmente prefiro ler livros físicos, muitas vezes (defeito de fabricação de algumas pessoas da minha geração 😛 ). Apesar disso, eu tenho muito livro digital. Estão na nuvem, não ocupam espaço físico. Consigo ter sempre os mais recentes, sem ficar louca com a poeira que juntam. Mas livro digital não é fotogênico, né?

Então, eu posso pegar os livros físicos na biblioteca, olha que simples. Um monte de gente aproveita os livros, e eu não preciso me preocupar com a integridade física deles, a movimentação a longo prazo, em os livros caberem em casa. Mas aí eu não posso participar de hashtags literárias, porque os livros não são meus; ou vou ter que catar imagens na internet, porque os livros não estão em casa, à minha disposição – as fotos que eu tirar não vão ser autorais. Não vou ter uma estante linda para fotografar e as pessoas curtirem, oh não!.

Peralá, mas é pra isso que os livros servem? Para serem fotogênicos? Para eu ser “curtida” e ficar feliz com a endorfina liberada quando eu ganho coraçõezinhos?? I think not.

Então esse é meu primeiro, e talvez último Book Haul. Claro que eu sempre adquiro alguma coisa ou outra. E ler, eu leio sempre. Mas eu não quero que minha relação com os livros me angustie, mude minha forma de pensar ou de ser – muito menos minha conta bancária.

A loucura foi temporária, e já está passando (thanks, God!)

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17 comentários em “Reflexão acerca do “Bookhaul”

  1. Oi Barbara!
    Fico feliz que minha reflexão tenha servido para alguma coisa 😛 Eu escrevi mais um post sobre e provavelmente escreverei mais um (mexi num vespeiro com isso? maybe, rsrs). Se quiser falar sobre – e sobre outras coisas, claro! tamos aí!

    Bju, sua linda :*

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  2. Acho que por um lado esse sentimento de compartilhar é normal, e a busca por aceitação tb o é, porém hj em dia tudo fica tão em evidência que isso se torna o foco principal para uma criação de identidade, principalmente para a galera mais nova, logo aparecer para ganhar umas curtidas é algo que para muita gente é o principal. Nota-se uma crescente falta de conteúdo na internet, pq tudo é somente aparência, temos estantes cheias, mas mentes vazias, lê-se muito, mas muita gente não consegue falar acerca do que se leu sem ser o mais genérico possível. Só me lembro do narrador do Clube da Luta falando “EU era aquele apartamento”, já que ele era fruto daquilo que comprava, mesmo que não precisasse, muita gente faz isso com livros ou mesmo com outras coisas. Compartilhar o que se gosta não é de forma alguma errado, mas cair na armadilha de viver em função disso para manter essa aparência e para ter essa “aceitação” já é algo que passa até do saudável, perde-se muita coisa ao escolher esse caminho. Nada em excesso.

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    1. É exatamente isso que você falou que eu penso. Não há mal algum em postar o que quiser, até mesmo pq a razão de eu ter feito um blog/instagram foi para poder falar sobre assuntos do meu interesse com pessoas que também se interessem, então as fotos são até mesmo uma forma de filtrar quem vai te acompanhar; o problema está justamente em, como você disse, viver em função disso. Há tantas pessoas assim que é difícil de identificar quem realmente gostou de algo que você postou de quem está curtindo ou comentando de forma mecânica.

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  3. Eu VIVO entrando em “desafios internéticos, fotográficos, etc” e desisto no meio do caminho. Realmente esse lance de viver de likes não se aplica a mim.
    Mas que é gostosinho tirar fotos bonitas e receber uns likes, isso é!! kkkk

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  4. Muito pertinente a reflexão. Nada contra as pessoas comprarem um monte de livros. Mas, acho que me identifico um pouco com o texto. Tenho a sorte de ter uma biblioteca praticamente ao lado da minha casa então quando falta grana para comprar livros eu pego na biblioteca. Mas eu particularmente só compro o que vou poder ler no momento. Esta coisa de comprar muitos livros para guardar até que um dia eu consiga ler também me daria uma angústia, rs. Melhor ficar angustiada com os livros me esperando nas livrarias mesmo, hahaha. Quando compro um livro o consumo imediatamente e só compro outro depois de ter lido o já comprado. A não ser livros que são para estudos onde vou lendo mais devagar e tal. Mas, cada um tem seu modo de se relacionar com os livros obviamente. De qualquer forma penso que quem gosta de ler sempre fica meio angustiado mesmo. São muitas tentações, kkkkkk.

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    1. São muitas tentações mesmo hahahahha
      Eu costumo gostar de ter os livros que eu gosto, então é comum eu comprar algum que eu já li na biblioteca. Gostaria muito de ter uma biblioteca particular, sabe? Mas enfim, também não acumulo livros não, os que assim estão foram presentes.

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      1. Ah, eu tb. sou assim. Gosto de ter os livros que gosto e gostaria de comprar livros que li da biblioteca e gostei. A ideia de ter uma estante cheia de livros que já li me atrai. Ao contrária de ter uma estante com livros que não li ainda. Pena que moro em um ‘apertamento’ hehe. Mas estou pensando em fazer algumas prateleiras, rsrsrs. bju

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  5. Hi, Miss B. Livros são aglutinadores mesmo, acabou unindo uma turma bem legal. Por outro lado, penso eu, que algumas pessoas pensam que isso é moda e que deve haver uma ostentação quase doentia destes objetos. Sou contra, por exemplo, as pessoas que compram duas ou três edições de um mesmo livro por causa da capa. Se há mudança no conteúdo do livro, como por exemplo, a adição de algum estudo sobre a obra ou autor, se é uma tradução melhor do que a que já descansa em nossa estante, porque então eu acumularia outros livros de conteúdo tão semelhante? Não faço isso, acho um desperdício de dinheiro e de espaço. Guarde o espaço para um livro que ainda não esteja nas prateleiras. Comprar por comprar não é comigo. Seu blog é ótimo e tem boas leituras aqui. Continue, por favor.

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    1. Oi, Jim! Esse seu comentário representa a minha linha de pensamento também. Às vezes vejo perfis no instagram com livros novos quase que diariamente. Não que seja errado, cada um faz o que quiser com o dinheiro que tem, mas me parece que é tanto tempo gasto com a ostentação, que a leitura em si, que era o foco, fica em segundo plano. Obrigada, Jim, eu amo seu blog!

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  6. Muito interessante! Pensava o mesmo, tinha dó de deixar os livros parados na estante. Peguei todos os livros que não gostava e vendi ou doei. Quando vi que sobrou muitos, me dei conta que a maioria eu pretendia reler ou emprestar ou deixar para os meus filhos (talvez isso seja uma desculpa, pois nem tenho filhos, nem sou casada).
    Hoje eu fico com menos peso na consciência, pois eu gosto muito de ter livros novos, mas não os reservo só para mim. Sempre empresto para amigos e familiares, e ainda consigo incentivar algumas pessoas a ler.
    Quanto às tags, tirei fotos dos livros e depois me desfiz deles haha
    Ainda estou aprendendo a me desfazer de outros, mas por enquanto fico feliz em compartilhar a leitura com outras pessoas!

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